domingo, 1 de agosto de 2010

A BELEZA DOS PÁSSAROS EM VOO (PARTE I)
Rubem Alves

De encontro com a religiosidade, percebemos que a beleza está nos mínimos detalhes do nosso planeta, pois tudo se resume a imagem e semelhança de Deus.

A literatura é um processo de transformações alquímicas. O escritor transforma sua carne e o seu sangue em palavras e diz aos seus leitores: "Leiam! Comam! Bebam! Isso é a minha carne! Isso é o meu sangue!" A experiência literária é um ritual antropofágico. Antropofagia não é gastronomia. É magia. Come-se o corpor de um morto para se apropriar de suas virtudes.
Não é esse o objetivo da eucaristia, ritual antropofágico supremo? Come-se e bebe-se a carne e o sangue de Cristo para se ficar semelhante a Ele. Eu mesmo sou o que sou pelos escritorers que devorei...E, se escrevo, é na esperança de ser devorado pelos meus leitores.
Foi longo o itinerário que segui. Minha infância foi uma infância feliz. Vivi anos de pobreza, mas não tenho desses anos nem uma memória triste. As crianças ficam felizes com pouca coisa. Não era preciso dizer os nomes dos deuses nem eu os sabia. O sagrado aparecia, sem nome, no capim, nos pássaros, nos riachos, na chuva, nas árvores, nas nuvens, nos animais. Isso me dava alegria! Como no paraíso...No paraíso a beleza é a face visível de Deus.
Foi minha mãe quem primeiro me falou de Deus. Ensinou-me a orar ao ir para cama. Há a morte, o terror que no escuro nos espreita. Há uma alma que sobrevive à morte e vai para algum lugar. Há um Deus que é o senhor do mundo depois da morte. Meu sentimento foi medo. Rompia-se a felicidade paradisíaca. Será o medo o início da religião? Medo da morte. Medo de abandonar este mundo luminoso!
Do inferno nunca tive medo. Talvez tenha sido essa a razão por que nunca consegui ser ortodoxo. Pois o fato é que o inferno é a base sobre a qual a Teologia Cristã se construiu - exceção feita aos místicos. A Teologia Cristã tradicional é um pião enorme que gira sobre essa aguda ponta de ferro chamada inferno. Mesmo quando se faz silêncio sobre ele, é ele que mantém o pião relando: quem está em cima do pião que roda não pode ver a ponta de ferro que torna possível o seu giro. Sem essa ponta, o pião para de girar e cai. Pois Cristo não morreu na cruz para nos salvar do inferno, como reza a Teologia Ortodoxa?
Incoscientemente nunca acreditei que Deus pudesse lançar uma alma ao inferno por toda a eternidade. É crueldade demais! E também nunca fui atraído pelas propaladas delícias do céu. Para dizer a verdade, não conheço nem uma pessoa que esteja ansiosa por deixar as pequenas alegrias desta vida para gozar eternamente a felicidade celestial perfeita. As pessoas religiosas que conheço cuidam bem da saúde, controlam o colesterol, a pressão, a glicemia...Elas querem continuar por aqui. Não querem partir.
Esta alegria de viver me faz encontrar Deus a passear pelo jardim ao vento fresco da tarde. Como eu, Deus prefere as delícias deste mundo material às delícias espirituais do céu. É claro que, se Ele estivesse feliz nos céus, não teria criado a terra. Pois Deus, segundo os teólogos, em virtude de sua perfeição, não pode criar o pior. Faz sempre o melhor. Assim, o paraíso tem de ser melhor que os céus que já havia. E Deus gostou tanto da terra e de seus jardins que resolveu para ela se mudar em definitivo e se encarnou eternamente. Deus ama a vida sobre a terra, mesmo com a terrível posssibilidade de morrer. Porque a vida é bela a despeito de tudo.




REAÇÃO À FÉ
O cérebro humano potencializa o efeito da oração, segundo últimos estudos.Os dados apontam que, ao se deixar seduzir pela oração de uma figura carismática, a pessoa tem áreas do cérebro responsáveis pelo ceticismo e vigilância menos ativas. O estudo analisou a resposta das pessoas a orações proclamadas por alguém que supostamente possui poderes de cura divina. Realizado pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, os pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional no cérebro de 20 pentecostais e 20 não crentes, enquanto tocavam orações gravadas. Os voluntários foram informados de que seis orações foram lidas por um não cristão, seis por um cristão comum e seis por um curanderio. Entretanto, todas eram lidas por um cristão comum. A atividade cerebral mudou apenas nos voluntários devotos, em resposta às orações. Partes do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior, que desempenham papeis fundamentais de vigilância e ceticismo ao julgar a verdade e a importância do que as pessoas dizem, foram desativadas enquanto as orações ouvidas eram dos supostos curandeiros.  
(Ciência & Vida - Psique. Ano V nº 55)

FELICIDADE À MODA ANTIGA


ESTOICISMO (300 a.C.)- Escola filosófica fundada por Zenon de Cítio, batizada segundo o local onde era ensinada, a Stoa Poikile (pórtico colorido) em Atenas. Segundo a ética estoica, a verdadeira felicidade (eudaimonia) resulta de uma vida em harmonia com a natureza e com a razão humana. Justiça, coragem e autocontrole são consideradas virtudes fundamentais. A ética estoica estava em constante conflito com a doutrina do prazer dos epicuristas.
EPICURO (321 – 271 a.C.) – Fundou em Atenas, em seu próprio jardim, uma escola filosófica cujo objetivo principal era refletir como aproveitar a vida da melhor maneira possível. Segundo ele, a mais alta felicidade consiste em uma vida plena de prazer e alegria, sem dor, medo e inquietação.
ARISTÓTELES (384 – 322 a.C.) – Discípulo de Platão. Em sua obra mais famosa, Ética a Nicômaco, descreveu a felicidade como a concretização de virtudes racionais: diferentemente do que ocorre com outros bens, o homem anseia pela felicidade por ela mesma. Para ele, o objetivo de toda ação deveria ser uma vida em conformidade com as virtudes da razão – e, portanto, o bem-estar não seria um estado de espírito, mas uma atitude.
CÍNICOS (400 a.C.) – Embora o termo "cinismo" tenha chegado aos dias de hoje de forma desvirtuada, caracterizando de maneira pejorativa as pessoas indiferentes ao sofrimento alheio, esta escola filosófica pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos, a autossuficiência e a ausência radical de ideais. O grupo foi criado por Aristóteles e se reunia no ginásio Cinosarge, no subúrbio de Atenas.
(Mente e Cérebro. Ano XVII. nº210)

sábado, 31 de julho de 2010

UMA DAS MUITAS PÉROLAS DE FERNANDO PESSOA...

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar o autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

UM IDIOMA RARO E PERSISTENTE
Ao contrário de outras línguas híbridas crioulas que estão desaparecendo, o papiamento dá sinais de vitalidade.

Milhares de línguas faladas por pequenos grupos de pessoas, como muitas línguas crioulas surgidas nos últimos séculos, estão à beira da extinção. Mas uma língua pouco conhecida, falada em um punhado de ilhas perto da costa da Venezuela, talvez seja uma exceção.
O papiamento, uma língua crioula que ao longo dos séculos recebeu a influência de escravos africanos, mercadores sefarditas e colonos holandeses, é atualmente falada por apenas cerca de 250 mil pessoas nas ilhas de Curaçau, Bonaire e Aruba. Mas, em comparação com muitas outras línguas híbridas crioulas que foram surgindo nas colônias, mostra raros sinais de vitalidade e de aceitação oficial.
Os jornais de Curaçau são publicados em sua maioria em papiamento. As lojas de discos têm negócios florescentes com CDs gravados em papiamento por músicos, como o cantor de protesto Oswin Chin Behilia ou a contora de jazz Izaline Calister.
Das cercas de 30 estações de rádio do lugar, quase todas transmitem em papiamento. Os parlamentares debatem em papiamento. As lojas de livros vendem romances e coletâneas de poesia em papiamento. A televisão também transmite em papiamento.
A língua local foi oficializada por lei em 2007, ao lado do holandês e inglês. Foi uma enorme distinção para uma linguagem crioula, raramente concedida em outros países.
Os linguistas afirmam que a persistência do papiamento destaca-se num momento em que muitas línguas crioulas enfrentam a ameaça de serem engolidas por idiomas predominantes no mundo, como o inglês ou o francês. As definições variam, mas as crioulas são consideradas em geral línguas reestruturadas, formadas nos últimos séculos pelo contato com as línguas coloniais como inglês, português ou árabe.
Estudiosos, escritores e compositores de Curaçau afirmam que a capacidade de adaptação do papiamento tem suas raízes numa mescla de políticas radicais e planejamento pragmático. Eles costumam vincular o renascimento da língua a um violento levante contra os símbolos do poderio holandês em 30 de maio de 1969, conhecido na ilha como "Trinta di Mei".
As origens do papiamento fascinam os linguistam; ele surgiu em uma colônia holandesa, mas seu vocabulário básico é uma mistura de português e espanhol. Alguns estudiosos afirmam que o papiamento evoluiu de uma língua franca com base no português, usada outrora na África Ocidental, e se desenvolveu posteriormente no século 17. Qualquer que seja sua origem, o papiamento de hoje lembra um pouco a cantada do português do Brasil, com vocábulos em holandês e inglês, mas também em grande parte em espanhol da Venezuela.
As pessoas que falam papiamento frequentemente empregam um linguajar um tanto obsceno quen pareceria fora de lugar nas páginas de um jornal, mas não nas ruas de Curaçau. Além disso, os habitantes da ilha são em geral notáveis poliglotas, falando fluentemente papiamento, holandês, inglês e espanhol.
(Simon Romero - O Estado de São Paulo, 6 de julho de 2010)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

      "...........
  Viva hoje!
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !
NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ"
Feliz...Feliz... Arriscar a Fazer, para Viver Feliz !!!!"
(Pablo Neruda)


 
"A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos."
(Pablo Neruda)



segunda-feira, 28 de junho de 2010

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."
(Fernando Pessoa)

Quem sou eu

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Lins, São Paulo, Brazil
Uma pessoa comum...