domingo, 26 de abril de 2009

COMPLEMENTO OU ADJUNTO?
Uma das maiores dificuldades dos estudantes de sintaxe é a distinção entre ADJUNTO ADNOMINAL e COMPLEMENTO NOMINAL.
Em princípio, o adjunto adnominal, formado pela preposição de + nome, vem sempre depois de um substantivo e indica posse (livro de Pedro), matéria (cadeira de aço) ou qualidade (menino de ouro). O complemento nominal não oferece problema quando vem depois de adjetivo ( fiel à lei) ou de advérbio (independentemente da vontade).
O problema é quando um dos termos, o complemento nominal ou o adjunto, vem depois de substantivo. Se este é abstrato, tem a força transitiva, e aí teremos um complemento nominal: a invasão de terras (ato de invadir), criação de galinhas (ato de criar). Se o nome for concreto, teremos adjunto adnominal: “A plantação de trigo foi destruída pelo incêndio”(plantação de trigo = trigal). Mas em “A plantação de trigo cria divisas para o país”, a plantação é o ato de cultivar trigo, e “ de trigo” é complemento nominal.
SUBSTITUIÇÃO
A ideia é simples: se o nome fosse verbo, o adjunto adnominal seria sujeito (mas indicando posse, matéria ou qualidade), e o complemento nominal seria o objeto. Assim, se digo “A invenção de Santos Dumont diminuiu as distâncias”, não estou dizendo que Santos Dumont foi inventado, mas que ele inventou (sujeito); a invenção pertence a ele (posse). Mas, se digo “A invenção de palavras caracteriza o estilo de Dias Gomes”, estou dizendo que inventar palavras caracteriza o estilo de Dias Gomes (invenção é nome com força transitiva;não há ideia de posse: as palavras não possuem invenção, nem invenção possui palavras).
Como o adjunto adnominal exerce função adjetiva, às vezes é conveniente tentar substituir a expressão suspeita por adjetivo; se não, teremos um complemento. Assim, em “risco de morte”, “de morte” equivale ao adjetivo “mortal”. Temos aí um adjunto adnominal. Mas, em “risco de vida”, não posso dizer risco “vital”; temos aí um complemento nominal.
“Risco de vida” equivale a arriscar a vida. “Risco” é aí um nome com força transitiva.
Uma expressão pode ser adjunto ou complemento, a depender do contexto. Em “O amor de Deus pelos homens é grande", “de Deus” é adjunto adnominal (Deus é que ama, o amor é Dele, posse).Mas, em “O amor de Deus torna os homens piedoso), “de Deus” é complemento nominal. (Deus é objeto do amor; os homens é que têm o amor, não Deus). Em francês, há uma diferença sutil entre
caísse d’eu (caixa-d’água, em uso, com água dentro) e caísse à eau (caixa de água, vazia). Em “caixa de vidro”, se o vidro indica a matéria de que a caixa é feita (caixa vítrea), temos um adjunto adnominal; mas se indica o conteúdo da caixa, então “de vidro” é complemento nominal. Da mesma forma, em “Comprei duas xícaras de café”, a expressão “de café” classifica as xícaras, determinando-as: adjunto adnominal. Mas, em “Bebi duas xícaras de café”, “de café indica conteúdo: complemento nominal.
Uma expressão como “pai de família” não pode ser substituída por “pai familiar”. Temos aí complemento nominal. Confere-se “pai de família” com "chefe de família" (em que “chefe” tem força transitiva: chefiar a família): “de família” é complemento nominal.
RESUMO
Em síntese: se indicar posse, matéria ou qualidade (ou agente), o termo é adjunto adnominal. Se completar o sentido transitivo do nome, o termo é complemento nominal. Atente-se para o fato de que o pronome relativo “cujo” é sempre adjunto adnominal e nunca complemento nominal. Numa frase como “O prefeito fez um discurso na ponte para cuja inauguração até o presidente foi convidado”, o pronome “cuja” é usado inadequadamente como complemento nominal de “inauguração”. De preferência: “O prefeito fez um discurso na ponte para a inauguração da qual até o presidente foi convidado”. “Cujo” é usado sempre com ideia de posse, real ou virtual. No exemplo, nem a ponte pertence à inauguração, nem a inauguração pertence à ponte. Mas o melhor uso de “cujo” é: “O rapaz com cujo irmão falei é estudioso”; “O lenço em uma de cujas pontas estavam bordadas as tuas iniciais era azul” e “Ruiu a ponte cujos arcos eram altos”.
JOSÉ AUGUSTO CARVALHO – mestre em Linguística pela UNICAMP e doutor em Letras pela USP
Revista Língua Portuguesa. Ano 3. Nº42.abr.2009.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

É POSSÍVEL MANTER A COMPOSTURA?

Algumas posturas internas ajudam a manter situações tensas sob controle e evitar desgastes desnecessários de energia.

  • Em meio ao caos, pare e pense: esse episódio tem mesmo toda essa importância?
  • Considere que mesmo o cliente ou colega mais teimoso raramente tem uma questão pessoal com você.
  • Fale consigo mesmo e tranquilize-se, dizendo: "Fique calmo...!"
  • Utilize técnicas de relaxamento para normalizar a sua respiração.
  • Tome situações difícieis como desafios, e não como problemas.
  • Conceda-se uma pausa depois de uma conversa desagradável!
  • Evite expor-se demais; mostre sentimentos em ambientes protegidos, com pessoas de confiança.
  • Ria de si mesmo; o bom humor ajuda a dissipar tensões.
  • Lembre-se, ninguém é excelente o tempo todo; aceite erros, os seus e os dos outros.

(Mente & Cérebro. Ano XVI. nº 195. abr.2009)

Para evitar distúrbios de linguagem

Cientistas norte-americanos chegaram à conclusão de que entender como o cérebro infantil distingue os sons pode ser de grande auxílio no diagnóstico e correção de distúrbios relacionados à linguagem. Segundo a neurocientista April Benasich, do Laboratório de Estudos da Infância da Universidade Rutgers, nos EUA, a capacidade de distinguir sons é fundamental no processo de decodificação da informação. Nos primeiros meses de vida, o cérebro trabalha para criar um mapa acústico do idioma nativo, porém, o processo pode variar de criança para criança.
Estudos apontam que entre 5% a 10% das crianças em idade escolar possuem algum déficit da linguagem, o que pode acarretar problemas ligados à leitura e também à fala.
(Revista Língua Portuguesa. Ano 3, nº42. abr.2009)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Funcionamento dos circuitos afetivos


O Sistema Nervoso Central desperta, regula e integra respostas emocionais. O Córtex Cerebral está envolvido na identificação, avaliação e tomada de decisões com base em dados sensoriais. Os pensamentos, expectativas e percepções desempenham papéis importantes para manter e dissolver afetos. A Formação Reticular, uma rede de células neurais alerta o córtex para informações sensoriais. Os dados a respeito de eventos despertadores de emoção são filtradospor esse sistema. A Formação Reticular desperta a atenção do córtex.

O Sistema Límbico, um grupo de cirucuitos inter-relacionados desempenha papel regulatório nas emoções e motivações. Embora as funções precisas de cada estrutura ainda não sejam clara, é certo que a informação sensorial passa pelo Sitema Límbico em sua trejetória para o córtex. Esse emite mensagens para outras áreas cerebrais. O Hipotálamo, uma estrutura límbica responsável pela ativação do Sistema Nervoso Simpático durante emergências está envolvido em situações de medo, raiva, fome, sede e atração sexual.

(Revisa Mente e Cérebro, Ano XVI, n°195, p.45)


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Reflexão

Para que haja grandes poetas é preciso que haja também um grande público.
Walt Whitman
(1819-1892, poeta norte-americano)

Animus furandi

Latim equivocado marca piada da internet sobre liguagem jurídica viciada, o juridiquês
"Num tribunal em Araçatuba(SP), era julgado um caso de tentativa de homicídio. O réu teria esfaqueado um antigo desafeto num bar, após breve discussão.
Apesar da gravidade das lesões, a vítima sobreviveu por motivos alheios à vontade do acusado.
A certa altura, o advogado de defesa se dirige ao conselho de sentença, afirmando pomposamente:
___ O réu não agiu com animus furandi!
O promotor balança a cabeça e olha para o juiz, que também não esconde seu estranhamento. Afinal, animus furandi significa 'intenção de furtar', e não havia qualquer acusação de furto. Mas ambos resolveram fingir que nada havia de errado. Para não confundir ainda mais a cabeça dos jurados, o promotor entrou na 'brincadeira':
___Apesar da afirmação do combativo defensor, o réu agiu sim com animus furandi. O laudo de exame de corpo de delito se revela conclusivo ao afirmar que a vítima foi furada três vezes pelo réu..."
(Adaptado de texto de Tulio Mayrink Ximenes, publicado no Neófito, pelo advogado Paulo Gustavo Sampaio Andrade, no site Jus Navegandi, Página Legal: http://www.paginalegal.com/marcador/juridiques/)
(Revista Língua Portuguesa, Ano 3.n°42.abr.2009p.64)

segunda-feira, 30 de março de 2009

NOVA ORTOGRAFIA - (cont.)

ACENTO DIFERENCIAL

Não se usa mais acento diferencial nas palavras paroxítonas que são homógrafas (mesma grafia, mas significados diferentes):

pára - flexão do verbo parar
para - preposição

péla- flexão do verbo pelar
pela - combinação da preposição com o artigo

pólo - substantivo
polo - combinação antiga e popular de por e lo

pélo - flexão do verbo pelar
pêlo - substantivo
pelo - combinação da preposição com o artigo

Obs: O acento diferencial permanece nos casos:

pôde - 3ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo poder, para diferenciar de pode - 3ª pessoa do singlar do Presente do Indicativo do verbo poder.
pôr - verbo / por - preposição
têm / tem
vêm / vem

*Há um caso em que o acento gráfico é opcional:
forma - com significado de molde, modelo oco para a colocação de massa, líquido - pode ser escrita fôrma ou forma.

ACENTO AGUDO

1. Não se usa mais acento agudo nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas. Assim,

ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
idéia ideia
assembléia assembleia
asteróide asteroide
heróica heroica
jibóia jiboia
Obs: Permanece o acento gráfico nas palavras oxítonas e nos monossílabos terminados em éi, éu e ói. Assim,
NÃO MUDAM COM O ACORDO
anéis / chapéu / céu / herói / dói
2. Não se usa mais acento agudo nas palavras paroxítonas com i e u tônicos, quando precedidos de ditongo. Assim,
ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
feiúra feiura
baiúca baiuca
3. É opcional o uso do acento agudo nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz (rizotônicas), com u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i. Assim,
ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
averigúe averigue
apazigúe apazigue
argúem arguem
ACENTO CIRCUNFLEXO
1. Não se usa mais acento circunflexo na 3ª pessoa do plural do Presente do Indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus derivados.
ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
crêem creem
dêem deem
lêem leem
vêem veem
2. Não se usa acento circunflexo nas palavras terminadas em hiato oo.
ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
enjôo enjoo
vôo voo
TREMA
Deixa de existir nas palavras de língua portuguesa ou naquelas que já foram aportuguesadas. Assim,
ANTES DO ACORDO DEPOIS DO ACORDO
argüir arguir
lingüiça liguiça
tranqüilo tranquilo
lingüística linguística
Obs: Conserva-se o trema em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, como Müller e mülleriano.
ALFABETO - é constituído por 26 letras. As letras k, w e y são usadas nos seguintes casos:
1. Nomes próprios originários de outras língua e seus derivados:
Kuwait - kuwaitiano
Darwin - darwinismo
2. Em siglas, símbolos e unidades de medida de uso internacional:
kg - quilograma
W - watt
kb - quilobyte

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